16 de set de 2009

Marcado por escândalos, Briatore pode estar perto de seu obstáculo final na F-1.

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O anúncio da saída de Flavio Briatore da Renault, nesta quarta-feira, pode ser o fim da linha para uma das figuras mais polêmicas da Fórmula 1 atual. Flavio Briatore, de 59 anos, pode ser banido do esporte na reunião do Conselho Mundial de Esporte a Motor da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), no próximo dia 21 de setembro. O italiano sempre teve seu nome envolvido em vários escândalos na era moderna da categoria. Próximo dos 20 anos de carreira, o dirigente aparentemente encontrou seu obstáculo final.

A FIA contratou uma empresa independente - a Qwest - para investigar o acidente de Nelsinho Piquet no GP de Cingapura de 2008. Briatore teria mandado o brasileiro bater de propósito na 16ª volta, três após o primeiro pit stop do espanhol. Após colher depoimentos e buscar provas na telemetria da Renault, o Conselho Mundial da entidade foi convocado para julgar o caso. Para evitar uma punição ainda maior, a equipe francesa aceitou afastar seu chefe, além de Pat Symonds, diretor de engenharia.

Após escapar de várias punições ao longo de sua carreira na Fórmula 1, Briatore não resistiu à vingança de Nelson e Nelsinho Piquet, que denunciaram a tramoia de Cingapura à FIA - fato confirmado por Max Mosley, presidente da entidade. Mesmo com a saída do dirigente da Renault, o Conselho Mundial não deve perdoar o dirigente no próximo dia 21 de setembro.

Escândalos marcam carreira de Briatore na Fórmula 1

Os métodos duvidosos de Flavio Briatore começaram a se manifestar em sua segunda temporada comandando a Benetton na Fórmula 1. Em 1991, o dirigente demitiu Roberto Pupo Moreno e colocou o então novato Michael Schumacher em seu lugar, durante a temporada, no GP da Itália. O veterano brasileiro sequer foi avisado da decisão da equipe. Nesta época, ele corria ao lado do tricampeão Nelson Piquet.

Três anos depois, em 1994, uma série de denúncias contra a Benetton manchou o primeiro título de Schumacher na Fórmula 1. A categoria reestreava o reabastecimento, que viria a ser decisivo na estratégia das equipes. Briatore mandou tirar o filtro das máquinas de sua equipe, o que acelerava o processo, mas o tornava muito inseguro. A falcatrua foi descoberta após o incêndio no carro de Jos Verstappen no GP da Alemanha, em Hockenheim, envolvendo o piloto e os mecânicos da equipe. Porém, por sorte, o acidente teve pequenas proporções e ninguém saiu ferido com gravidade.

No mesmo ano, a Benetton foi acusada de usar dispositivos eletrônicos (proibidos) disfarçados em seu carro, como o controle de tração e de largada. Schumacher ainda colocou a cereja no bolo, ao conquistar o campeonato jogando o carro sobre Damon Hill, da Williams, no GP da Austrália, última corrida do ano, disputado no circuito de rua de Adelaide.

No fim da temporada de 1994, Briatore comprou a francesa Ligier para adquirir o direito de uso dos motores Renault, os melhores da época. O regulamento da FIA não permitia que ele fosse o dono da equipe e ele repassou o time a Tom Walkinshaw, dono da TWR, também conhecido por manobras duvidosas em outras categorias. Os propulsores acabaram nos carros da Benetton.

Briatore e Schumacher festejam vitória em 1995.

O título de Schumacher em 1995 foi o último brilho desta época da Benetton. A saída do alemão, junto com vários membros da equipe técnica, colocou o time na metade do grid. Em 1996, Briatore comprou uma parte da Minardi, mas não conseguiu vendê-la como o esperado. No ano seguinte, ele foi demitido da Benetton. Em seu lugar entrou David Richards, dirigente bem-sucedido nos ralis.

Entre 1998 e 2000, ele chefiou a Mecachrome, que administrou os motores Renault na Fórmula 1 após a saída da montadora francesa, no fim de 1997. Em 2001, ele voltou à Benetton, após a Renault comprar o time e ele ser reconduzido ao cargo de chefe. Em paralelo, Briatore começou a investir na carreira de jovens pilotos, como o espanhol Fernando Alonso, em um claro caso de conflito de interesses.

Em 2003, Briatore demitiu Jenson Button e colocou Alonso, seu piloto, na vaga na Renault. Além do espanhol, o dirigente foi empresário de pilotos como Mark Webber, Heikki Kovalainen, Jarno Trulli e Nelsinho Piquet. No fim de 2004, após a recusa na renovação do contrato pessoal, Briatore demitiu Trulli da Renault.

Jarno Trulli: outra vítima de Flavio Briatore na F-1.

A aposta em Alonso acabou se revelando acertada, com o bicampeonato de 2005 e 2006, os únicos títulos da equipe Renault na Fórmula 1. Só que, em 2007, o time francês foi acusado de espionagem contra a McLaren. Segundo a FIA, a Renault tinha dados dos modelos de 2006 e 2007 dos rivais. A equipe foi considerada culpada, mas não foi punida. Briatore demitiu o responsável por levar os dados para a Renault.

Neste ano, Briatore protagonizou uma grande polêmica com o brasileiro Nelsinho Piquet. Insatisfeito com o desempenho do piloto, o dirigente chegou a ameaçar demiti-lo pouco antes da largada das corridas. Após o GP da Hungria, ele foi desligado do time e acusou o empresário de ser seu carrasco e de apenas tomar 20% de seu salário.

Antes da Fórmula 1, escolhas corretas em busca da fortuna.

Compra da Ligier serviu para burlar regulamento.

Briatore nasceu em 12 de abril de 1950, na cidade italiana de Verzuolo. Ele cresceu nos Alpes Marítimos do país, em uma família de professores. Ele se formou no segundo grau com notas muito baixas e começou a trabalhar como instrutor de esqui e gerente de restaurante. Ele abriu seu próprio negócio, o “Tribüla”, que fechou pouco tempo depois.

Nos anos 1970, ele se mudou para Cuneo e se tornou assistente do empresário Attilio Dutto, dono da Paramatti Vernici, que fabricava tintas. O chefe de Briatore foi morto em 21 de março de 1979, após seu carro explodir por causa de uma bomba.

Após a tragédia, Briatore se mudou para Milão, para trabalhar na Bolsa de Valores. Nesta época, ele conheceu Luciano Benetton, fundador da fábrica de roupas Benetton. Eles ficaram amigos e, pouco tempo depois, sócios. Ao expandir a empresa para os Estados Unidos, o empresário nomeou o amigo Briatore como diretor da operação americana do grupo.

A marca teve um caminho bem sucedido nos Estados Unidos. Em 1989, a Benetton tinha cerca de 800 lojas no país e Briatore já tinha feito sua fortuna com uma participação exigida em cada franquia da empresa. O empresário saiu dos EUA vítima de sua própria estratégia agressiva: as lojas da marca passaram a concorrer entre si e o número delas caiu para 200 no fim daquela década.

Fonte: G1

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